Blog da JUBANORPA


Mentira ou Verdade?
14 Janeiro, 2008, 7:30 pm
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- Em qual delas levo vantagem?

/ Nancy G. Dusilek

- Desde criança, somos ensinados a sempre falar a verdade. É um valor moral ensinado pelos pais e aprendido pelos filhos independente da classe social ou credo religioso. Infelizmente, há pais que exigem dos filhos a integridade no falar a verdade, mas eles mesmos têm dificuldades nessa área. Fogem de responsabilidades, dizem o que não acreditam, prometem e não cumprem, e daí por diante. Querem que os filhos não usem a mentira, mas eles mesmos são os primeiros a dar exemplos negativos. Essa atitude tem preocupado profissionais que estão envolvidos com o desenvolvimento das crianças. Mentira é engano, falsidade, fraude, afirmação contrária à verdade a fim de induzir ao erro.

“Primeiro de Abril”

Tem até o Dia da Mentira, primeiro de abril. Há muitas explicações, mas uma delas é que a idéia surgiu na França. Até 1564, o Ano Novo era festejado no dia 25 de março, que marcava a chegada da primavera. As festas terminavam no dia 1º de abril. Com a adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX da França determinou comemorar o Ano Novo em 1º de janeiro. Alguns resistiram à mudança e continuaram seguindo o antigo calendário. Foram ridicularizados e recebiam convites para festas que não existiam. Passou a chamar Dia dos Tolos.

No Brasil, o 1º de abril começou a ser difundido em Pernambuco, onde circulou o jornal “A Mentira”, lançado em 1º de abril de 1848, com a notícia do falecimento de Dom Pedro que foi desmentida no dia seguinte. O referido periódico saiu pela última vez em 14 de setembro de 1849, convocando todos os credores para um acerto de contas no dia 1º de abril do ano seguinte, dando, como referência, um local inexistente. Até os nossos dias, ainda há muita brincadeira nesse dia 1º de abril.

“Me Engana que eu Gosto!”

Na revista Veja do dia 18 de outubro de 2006, na entrevista semanal nas chamadas páginas amarelas, o americano David Livingstone Smith (espero que ele não seja parente do famoso missionário, na África, explorador e médico no século XVIII) trouxe uma bomba em matéria de mentiras.

Sob o título “Engana que eu gosto!”, o dr. Smith diz que o ser humano é mentiroso por natureza e que a mentira é útil à sociedade. Ainda defende que a sociedade seria um caos se todos decidissem falar a verdade. Continua dizendo que “somos programados para enganar desde os primórdios da humanidade. Seja para nos proteger ou para levar vantagem.” Acrescenta que todos nós mentimos e quem diz o contrário mente, pois temos dificuldade em nos reconhecer como mentirosos por causa dos valores morais aprendidos. Acrescenta ainda o dr. Smith que “bons mentirosos são mais populares e bem-sucedidos, têm mais status social e melhores salários.” Diz que os políticos são mentirosos profissionais e que fazem promessas ao eleitorado mas não estão preocupados se vão conseguir cumpri-las ou não. O político mente para se dar bem, porque leva vantagem. Afirma, também, que quando queremos algo de outra pessoa e esta não quer nos dar, nós mentimos. No caso de enamorados, as pessoas mentem, pois querem parecer mais atraentes ou mais inteligentes do que realmente são. O mesmo acontece na vida profissional, quando se mente para salientar suas habilidades e competências. Termina dizendo que mentir é uma tendência no ser humano tanto quanto a capacidade de falar e caminhar.

Surge uma Nova Ciência: A “Neuroética”

Quando vamos para uma das mais recentes ciências, a neurotecnologia, temos razões para ficarmos preocupados sobre o comportamento humano diante dos valores morais. Elas são técnicas de mapeamento cerebral, de desenvolvimento de drogas ou implantação de chips que alteram o comportamento humano. Essas técnicas sempre estiveram restritas à medicina para o tratamento e a prevenção de doenças. No entanto, elas passaram a ser usadas no cotidiano das pessoas sem que exista um questionamento ético sobre o assunto. Para você ter uma idéia, empresas testam o gosto de um refrigerante com base nas reações de prazer no cérebro de um indivíduo. Nos tribunais, o uso da neuroimagem como detector de mentiras já é tido como uma grande promessa. Mas, não há regras nem limites éticos para lidar com esse assunto.

Discute-se muito os limites éticos da genética, mas a neuroética é talvez mais importante porque envolve a mente humana. Se uma pessoa tem uma propensão a uma doença degenerativa, que companhia de seguros fará uma apólice para ela? Ou melhor, que escola receberia um adolescente que apresentasse um marcador cerebral indicando predisposição para se tornar psicopata? O que fazer? Falar a verdade? Guardar as informações e vigiar o menino? Conversar com a família? Mentir ou falar a verdade com os interessados? Segundo o dr. Robert Lent, professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro, não existe um método seguro para saber se alguém está mentindo ou não. O receio do professor é utilizar essa nova técnica para fazer uma raça pura, “uniformizar o que é diverso, mudar a natureza humana. Cair na prática das aberrações éticas dos nazistas”.

Valores Invertidos
O progresso da ciência e das novas descobertas tem trazido problemas éticos de tomada de decisão que devem ser cuidadosamente considerados. Não é possível aceitarmos simplesmente porque todos fazem isso ou porque nossa mente está programada previamente. A decisão moral é um ato consciente e que tem conseqüências, positivas ou negativas. Portanto, falar a verdade ou mentir é um direito de cada ser humano, mas ambas as posturas carregam consigo as conseqüências inevitáveis.

O grande problema de nossa sociedade hoje é que os valores estão invertidos. A pessoa que fala sempre a verdade é vista como alguém fora da realidade, quase um “ET”; às vezes, um bobalhão. Já o que sabe mentir e o faz com classe e teatralmente, é tido como esperto e até “confiável”. O mundo secularizado em que vivemos tem nos enriquecido com avanços tecnológicos que facilitam a nossa vida. No entanto, o lado ético empobreceu e muito.

Quando terminou a novela Belíssima, em uma entrevista, o autor Silvio de Abreu declarou o seu espanto diante da passividade dos telespectadores. Diz o referido autor que as pessoas já não valorizam tanto a retidão de caráter. Para elas, o importante é a vantagem que se leva, seja qual for o meio usado. Resumiu dizendo que a moral do nosso país está em frangalhos. As pessoas querem é subir na vida, ganhar dinheiro e “dane-se o resto”.

Vivemos um momento na história da humanidade em que os relacionamentos são muito superficiais. As pessoas casam e descasam com facilidade. As amizades são passageiras e na maioria dos casos não há preocupação em conservar amigos ao longo dos anos. Por constatar que as pessoas mentem para se darem bem, acaba-se não acreditando uns nos outros. Onde há desconfiança, a amizade não se instala. É só o “oi” ou “olá”. O que passa disso já complica.

E a Bíblia com tudo isso?

Quando olhamos para a Palavra de Deus, encontramos logo de cara nos Dez Mandamentos “Não dê testemunho falso contra ninguém.” (Ex. 20.16). Quer dizer: não minta para ninguém ou, sobre ninguém. Paulo, em Efésios 4.25, registra: ”Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo…”. Mas, o mais famoso caso é o de Ananias e Safira, relatado em Atos 5.1-13. O casal combinou vender a propriedade por um valor. Ao entregar, na igreja, para ajuda dos demais irmãos, combinaram um valor menor. Ficariam com uma parte e como era segredo entre os dois, ninguém estava sabendo. Estariam fazendo uma boa ação ajudando os irmãos mais pobres da igreja, mas garantindo o deles para o futuro. Para evitar qualquer desconfiança acertaram ir ao templo em horários diferentes. Primeiro chegou Ananias. O apóstolo Pedro não teve dúvidas; foi logo denunciando a farsa e ali mesmo morreu o impostor. Três horas depois chegou a esposa Safira, e imagino que, com a cara mais lavada, e sem saber do que acontecera com o marido, repetiu a mesma resposta à pergunta de Pedro. Da mesma forma caiu dura e morta. O apóstolo Pedro não economizou palavras e disse: “Por que você e seu marido resolveram por à prova o Espírito do Senhor?” A mentira arquitetada pelo casal foi um atentado ao Senhor. O casal quis levar vantagem, mas acabou perdendo tudo.

Você Decide!
Mentira ou Verdade? Em qual delas levo vantagem? No mundo em que vivemos, ser um esperto mentiroso com certeza tem muitas vantagens. Além disso, a cultura do levar vantagem é mostrada como a melhor saída. Mas a verdade é a bandeira daquele que conhece a Verdade. Quando se adota a verdade como paradigma de vida, a cabeça erguida (não arrogante) e a palavra com autoridade (não autoritária) são as marcas do verdadeiro cristão.

Não é fácil ser jovem nesse mundo das “vantagens”, mas é possível, pois a maior vantagem é ser um seguidor leal do Senhor Jesus. Topas?

Para Reflexão:

1.Você concorda com a postura do dr. Smith de que nós “somos programados” para enganar?
2.Qual a sua reação diante das telenovelas? Qual o personagem que mais lhe chama a atenção, o correto ou o que faz tudo para levar vantagens?
3.O que você faria no lugar de Pedro quando Ananias e Safira chegaram ao templo?
4.Faça uma lista das Mentiras que você freqüentemente conta. Como se sente? O que o apóstolo Pedro diria se visse essa lista?
5.Faça o mesmo com a Verdade.

Revista Veja: 21.06; 18.10;20.10.2006.

É escritora, Educadora,
membro da Igreja Batista de Itacuruçá/RJ
1º Vice-presidente da Convenção Batista Brasileira.


2 Comentários até o momento
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Tenho verdadeiro pavor da mentira. Desde criança aprendi que o diabo é o pai da mentira. A Bíblia nos mostra que não há verdade nele. Sou colocada muitas vezes diante de oportunidades que me trariam vantagens se mentisse, mas tremo diante de Deus, para achar isso normal. Gostei muito do artigo da Profª Nancy. Também penso da mesma forma.

Irenir (PIB Fazenda Botafogo – Rio de Janeiro)

Comentário por Irenir Jorge

Graças a Deus tive o privilégio de nascer num lar cristão onde fui ensinado sobre o perigo da mentira, tanto espiritual, quando material. Quantas pessoas não estão desempregadas porque o curriculo não tem coerencia com as entrevistas?
É triste ver que cada vez isso vem se tornando algo “errado”, ou ainda algo menos vantajoso. Estamos entrando em uma geração onde os valores se invertem. Cabe a nós orarmos e permanecermos firmes em Cristo e em sua palavra.

Grande Abraço!
Em Cristo
Israel Araujo

Comentário por jubanorpa




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